quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Heloísa.

Eu sei que cometi erros hediondos contigo, te pedi para ires além dos limites, até mesmo quis te convencer a ultrapassar os limites da decência.  Lembro-me que não fui forte o bastante para enfrentar o “Senhor da Tempestade”, quando este se colocou entre nós dois, me arrependo de ter sido tão covarde, ali com certeza comecei a perder-te.

Conheci tua doçura, como nenhum outro chegou a conhecer, digo-te que ela tornou os meus dias muito mais felizes e com isto, meu coração ficou verdadeiramente apaixonado! Tua delicada voz, quando chegava aos meus ouvidos, provocava uma carícia intensa na minh’alma, o som do teu sorriso era capaz de criar um paraíso de delícias românticas dentro do meu peito, ah, eu jamais me esquecerei do teu humor de doce anjo libidinoso!

Digo tal coisa, porque acabaste com toda dúvida que eu tinha sobre a existência ou não dos anjos, afinal, o que seria esta mulher que tu és a não ser um espírito angélico encarnado? As minhas horas eram extremamente luminosas quando eu andava debaixo das tuas asas brancas, sendo tocado por um amor que em sua natureza era único.

Recordo-me das nossas noites de tórrida paixão, regadas pelo mais delicioso vinho, lembra-te que nestes momentos dulcíssimos nós tínhamos em nosso meio a presença divina de Dionísio? Eis que ele abençoava o nosso amor com sua alegria e com a força do seu êxtase divinal. Naquelas noites, o filho de Zeus e de Semele fazia de mim o teu indomável sátiro e fazias de ti a minha apreciável bacante.

Abriste-me, centímetro a centímetro, as portas do teu coração, contando-me a triste história da tua vida, de como foste traída no passado por aquele que um dia te desposou, pois, este, que era uma fera bestial de egocentrismo e violência, foi capaz de macular o leito matrimonial de ambos, se envolvendo sensualmente com as filhas lascivas do adultério.  Uma vez apartada dele, tentaste dar continuidade a tua vida, mas, nunca aceitando de verdade a separação conjugal que lhe foi imposta, após ser desmascarado por ti, em meio ao emaranhado das suas traições, eis que tal fera em forma de homem até hoje continua a te perseguir e a te torturar a mente e espírito de mulher.

Ah, minha flor encantada, com os olhos da minha anima, pude ser testemunha de toda esta perseguição e sofrimento que te foram impostos. Como já te reconheci, eu, na época, não tive a coragem suficiente de enfrentar ao teu lado toda esta situação difícil, e aí é que mora todo o meu amargo arrependimento.  Por longos períodos, a vida nos afastava, e, em outros mais curtos, nos reaproximava novamente, e eu não aproveitei estas oportunidades de reaproximação para te reconquistar definitivamente, oh, amantíssima, como fui tolo ao agir desta forma.

Da última vez que eu conversei contigo, tu me dissestes para a minha infelicidade que estavas conhecendo a outro homem, foi desesperador ouvir isto de ti, não conseguia acreditar ou conceber que poderias me substituir em tua existência por outro alguém.  Como a minha mente, apaixonada e completamente obcecada por ti, conseguiria imaginar-te sendo enlaçada pelos braços e juntada ao corpo de um homem que não fosse eu? E ainda, como aceitar-te fazendo planos de vida, sem espaço vital para mim?

Depois daquela nossa tão difícil conversa, nunca mais soube nada de ti, afinal, sumiste da minha vida qual fumaça levada pelo vento. Atualmente, eu sou apenas uma mescla de dor e saudade, de angústia e medo de nunca mais ter a oportunidade de reparar os meus erros junto a ti, e, com isto, conseguir atrair-te novamente ao porto seguro do meu ser. Agora, eu rezo aos meus deuses pagãos tão somente para que tu chegues a ler estas linhas e, de alguma forma, internamente, consigas me perdoar e me dar uma segunda e derradeira chance para que eu repare os meus pecados, e, desta forma, tenha a graça de conseguir fazer-te plenamente feliz.

Para obter forças como que viva dignamente sem a tua presença, eu preciso mais do que nunca acreditar no poder do amor, acreditar que este poder pode um dia me redimir de forma absoluta, fazendo com que tu, oh meu acalentador anjo, rufles as asas do coração e me chame outra vez, de “TUA DOCE E ÚNICA PAIXÃO”!

- ELTON SIPIÃO O ANJO DAS LETRAS.

Análise critica e revisão textual de Natanael Gomes de Alencar.

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