sábado, 27 de maio de 2017

Cigana dos meus ardentes desejos

A canção mágica invade os meus ouvidos, alcançando em cheio o meu coração; ela faz com que ele bata em um ritmo acelerado por ti. A sua harmonia musical vem de violinos ensandecidos, violões com seus acordes furiosos, tambores e atabaques inflamados por mãos plenas de paixão.

E o que dizer quando resolves dançar para mim, impulsionada por este ritmo cigano que misticamente envolve cada instrumento tocado por teus companheiros músicos? Meu corpo todo parece ferver quando a contemplo trajada com sua blusinha curta de mangas sanfonadas e longa saia rodada, dançando qual serpente mística a me hipnotizar com sua sensualidade de deusa-bruxa!!!

Teus cabelos negros jogados ao vento, enquanto, danças dentro de tua coreografia selvagem, emprestam-te um aspecto belo e profano; quase enlouqueço quando, segurando com ambas as mãos, as extremidades da saia, tu levantas uma de tuas pernas e com um chute rápido atingindo o nada, expões, por uma fração de segundos, ante o meu olhar atento e estupefato, as carnes de tua coxa robusta e bem torneada.

Tal qual magma quente, o meu sangue rubro corre ardente no interior das minhas veias quando percebo o suor que escorre abundante pelo teu colo, ressaltado pelo generoso decote de tua blusa de cor branca; ah, como naquele instante desejo agarrar-te em meus braços fortes para poder lamber cada gota salgada de tua deliciosa transpiração.

Como se teus pés fossem os de uma deusa pagã enfurecida em um bailar vermelho, tu levantas o pó do chão, onde teu povo com suas carruagens estão acampados, e, ao reflexo das chamas da fogueira, juntas tua graça numa atmosfera onde aquilo que é místico encontra-se com aquilo que é extremamente sensual.

Enquanto movimentas o teu corpo de cigana formosa neste balé de puro fascínio carnal, todos aqueles que te assistem ditam o ritmo do teu dançar, batendo palmas em uníssono, e, de meu intimo se projeta a visão dos espíritos da natureza, como fadas, faunos e sátiros, a te acompanhar invisivelmente a apresentação, onde destilas tua pura sedução feminina.

E eu, como mero visitante neste acampamento, um estrangeiro apreciador da cultura cigana, sem querer, vou aos poucos me apaixonando por ti, enquanto vou te assistindo, a bailar com os deuses da luxúria suprema, a banhar-me de sentimentos até então desconhecidos por mim.

A lua cheia, dependurada no alto do céu, parece se divertir com o fascínio de teu ser feminino sobre mim, apesar de, por milênios, assistir homens e mulheres se apaixonarem de mil modos diferentes, em situações completamente distintas umas das outras. Em meio às suas ninfas-estrelas acompanhantes, a Deusa-Branca, a Senhora Lunar, abençoa o nosso futuro amor, puro fogo que aos poucos diviniza nosso âmago.

Ao beber em taças forjadas na mais pura prata o vinho oferecido pelo teu povo, uma certeza floresce em minha mente: a de que no final desta reluzente noite, hei de mergulhar nos oceanos tempestivos dos teus orgasmos turbulentos, oh, filha sacro-profana do sol e da lua.

- ELTON SIPIÃO O ANJO DAS LETRAS

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